Votação do PL do Endividamento Rural é adiada novamente e produtores seguem apreensivos
Governo Federal propõe novos ajustes no projeto e discussão fica para a próxima semana, aumentando a preocupação no campo.
João Victor Almeida - Imagem: Divulgação
5/21/20262 min read


A votação do Projeto de Lei 5122/2023, conhecido como PL do Endividamento Rural, foi adiada mais uma vez em Brasília, aumentando a frustração e a insegurança entre produtores rurais de diversas regiões do País. O tema voltou a ser discutido nesta semana, mas novas propostas apresentadas pelo Governo Federal acabaram interrompendo o avanço da pauta no Congresso.
O Ministério da Fazenda solicitou uma reunião com parlamentares envolvidos nas negociações para alinhar pontos relacionados ao projeto, principalmente sobre a criação de um Fundo Garantidor para o agronegócio e os critérios de renegociação das dívidas rurais.
Segundo integrantes do setor, o projeto vinha avançando nas discussões envolvendo recursos do Fundo Social, estimados em cerca de R$ 30 bilhões para auxiliar produtores endividados. Porém, a nova intervenção do governo acabou adiando novamente a votação.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo trabalha em uma proposta que prevê prazo de até dez anos para pagamento das dívidas, com possibilidade de dois anos de carência. O modelo também deve incluir critérios de enquadramento, análise do perfil dos produtores e definição das taxas de juros.
Outro ponto central das discussões é a criação de um Fundo Garantidor para o agronegócio, que teria participação do poder público, bancos, instituições financeiras e dos próprios produtores rurais. Segundo o governo, a proposta busca ampliar o acesso ao crédito e oferecer maior segurança em momentos de inadimplência e crise no setor.
A senadora Tereza Cristina destacou a necessidade de rapidez nas definições, principalmente diante da proximidade do próximo Plano Safra. Segundo ela, produtores precisam de regras claras sobre quem poderá acessar os benefícios, valores disponíveis e condições de renegociação.
Enquanto isso, produtores rurais seguem demonstrando preocupação e desgaste diante da demora nas decisões. Representantes do setor afirmam que muitos agricultores enfrentam dificuldades financeiras acumuladas nos últimos anos e possuem vencimentos importantes previstos entre maio e julho, envolvendo dívidas com cooperativas, bancos, cerealistas e fornecedores de insumos.
Uma das principais apreensões no campo envolve as garantias exigidas para renegociação das dívidas. Segundo produtores, muitos agricultores já não possuem patrimônio suficiente para oferecer novas garantias reais em operações de crédito e renegociação.
O tema continua sendo acompanhado de perto pelo setor agropecuário, que aguarda novas definições do governo e do Congresso nas próximas semanas para entender quais medidas poderão ser adotadas para aliviar a situação financeira de milhares de produtores rurais no País.
